Fraturas do punho (região distal do rádio)

por | 04/06/2020 | Fraturas, Traumas

Fratura do punho, fratura do “pulso”, “punho luxado” correspondem, na verdade, às fraturas da região distal do rádio.

Esse é o osso mais comumente fraturado do punho.
Essas lesões acontecem de forma bimodal: em adultos jovens com traumas de alta energia (motocicleta, esportes, quedas de altura) e em idosos, com trauma de baixa energia.

Para se ter uma idéia de como essas fraturas são comuns, aos 50 anos, uma mulher tem 15% de chance de fraturar a extremidade distal do rádio até o final da vida.

Ela pode ser chamada de “fratura sentinela” para fraturas em osso porótico (osteopenia e osteoporose). Portanto, deve-se acompanhar estes pacientes com densitometria óssea e avaliar o metabolismo ósseo por exames de sangue, a fim de se evitar fraturas do fêmur e da coluna.

Fraturas do punhoCaso o tratamento não operatório seja possível, pode ser necessária a “redução incruenta”, ou seja, “colocar a fratura no lugar”. Após esse procedimento médico, deve-se confeccionar um gesso para manter essa redução. Fraturas sem desvio podem ser tratadas com gesso ou órteses. O tempo de tratamento costuma ser de: 4 semanas de gesso axilo-palmar (acima do cotovelo) mais 2 semanas de gesso antebráquio-palmar (abaixo do cotovelo). Esse tempo total de 6 semanas pode-se prolongar a depender de fatores locais (como as fraturas expostas, radioterapia local, …) e sistêmicos (ligados ao paciente, como desnutrição, uso de imunossupressor, doenças sistêmicas, diabetes, etc.).

Se houver necessidade de cirurgia, a maioria dos pacientes ficam apenas 1 dia no hospital. São internados via pronto-socorro, realizam exames pré-operatórios e serão submetidos à anestesia, com bloqueio nervoso e sedação ou anestesia geral.

Pode-se realizar fixação com fios de Kirschner (pinos metálicos) sem corte na pele em alguns casos. Contudo, deve-se utilizar imobilização no pós-operatório desses pacientes.

A via mais comumente usada, quando há necessidade de se colocar a fratura no lugar, é na região volar (palmar) do punho. Com auxílio de rádio-escopia (radiografia dinâmica) coloca-se a fratura no lugar e se utiliza placa e parafusos para mantê-la. No início dos anos 2000, começou-se a utilizar placas bloqueadas (são aquelas em que os parafusos rosqueiam em seus orifícios).

Uma vez que a fixação tenha ficado estável, pode-se evitar de utilizar imobilização no pós-operatório e se inicia precocemente a recuperação dos movimentos.

O tempo de consolidação (grudar o osso) é o mesmo das fraturas tratadas no gesso: 6 semanas.

Raramente, há necessidade de se utilizar enxerto ósseo. Isto é: retirar osso de outro local do corpo para se colocar no local da fratura.

Alguns traços de fratura não permitem redução e fixação por via palmar. Para esses pacientes, utilizamos outras vias e outros tipos de placas ou parafusos para realizar a fixação.

A artroscopia do punho pode ser necessária para ajudar ou comprovar a redução dos fragmentos articulares.

Deve-se ter em mente que desvios de apenas 2 mm na articulação têm 90% de chance de o paciente evoluir com artrose nos 5 seguintes. Metade destes pacientes serão sintomáticos.

As lesões associadas, como: fraturas do escafóide, lesão do ligamento escafolunar, lesões tendíneas ou nervosas serão abordadas em outras matérias no site.

A pseduartrose (o osso não consolidar/grudar) da região distal do rádio é muito rara.

Já os defeitos de consolidação, quando os fragmentos não são reduzidos perfeitamente, são menos incomuns. Se houver prejuízo à mobilidade ou risco de dano futuro, o paciente pode ser submetido a uma osteotomia, para se corrigir a anatomia.

Pode haver ruptura de tendões, compressão do nervo mediano, deformidade da região distal do rádio ou da ulna após o tratamento e cada uma dessas alterações deve receber avaliação individual.

Outro capítulo importantíssimo no tratamento destes pacientes é a reabilitação.

Deve-se manter a mobilidade dos dedos desde o início do tratamento. Assim que permitido, devemos começar à mobilização da articulação rádio-ulnar distal, com a pronossupinação do antebraço. Nos pacientes operados, geralmente, começamos a mobilizar a articulação rádio-cárpica (do punho) com flexão e extensão antes da consolidação, ao redor de 2 semanas de pós-operatório. Já os pacientes tratados com gesso, devem aguardar a retirada da imobilização para mexer esta articulação.

Apesar de muito comuns, as fraturas dessa região têm tantas nuâncias que quanto melhor o médico e mais motivado estiverem os pacientes, maior e a chance de se obter bom resultado ao final do tratamento.

Dr. Diego Figueira Falcochio

Ortopedista especialista em mão e microcirurgia

CRM 122.897 TEOT 11.487

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