Cisto Sinovial

por | 12/08/2020 | Outras doenças

O cisto sinovial é aquela “bolinha” que aparece no dorso do punho, ou em outros locais do punho ou da mão. (Figura 1)

Cisto sinovial

Figura 1

O Cisto sinovial é o pseudotumor mais comum da mão (se incluirmos os tumores verdadeiros ele continua em primeiro lugar).

 

Acontece devido a uma fraqueza da cápsula ou ligamento que é preenchida por líquido sinovial da articulação. Algumas vezes, ocorre na bainha tendínea e pode atrapalhar a excursão dos tendões, como no dedo em gatilho (ver artigo específico).

 

Há formação de uma “válvula” no pedículo do cisto que pode dificultar ou inviabilizar seu esvaziamento para dentro da articulação. (Figura 2)

 

É mais comum em mulheres e em 70% dos casos acontece da 2ª à 4ª década de vida. Contudo, não é incomum em crianças, nem em idosos.

Figura 2 - cisto sinovial

Figura 2

NUNCA foi relatada maligniação do cisto. Contudo, as raras tumorações malignas da mão podem ser confundidas com cistos sinoviais.

 

Pacientes procuram o atendimento médico por preocupações estéticas, dor, perda de função ou medo de malignidade.

 

Há um tipo de cisto, o oculto, que pode ser de difícil diagnóstico devido ao seu diminuto tamanho. Mas, cirurgiões da mão experientes, geralmente, conseguem palpá-los e os exames de imagem ajudam na sua confirmação.

 

O diagnóstico diferencial deve ser feito com as tenossinovites, lipomas e os tumores de células gigantes de bainha tendínea.

 

Exames complementares:

Podemos utilizar radiografias (geralmente normais), ultrassonografia e ressonância magnética dependendo do caso. O objetivo destes exames é avaliar possível malignidade, tumores sólidos e lesão do ligamento escafolunar.

 

Tratamento:

Pode-se realizar punção do cisto com injeção de medicamentos (minha preferência é pelos corticoides). A chance de sucesso deste tipo de procedimento é de cerca de 30%. Contudo, pode ser realizada no consultório, na hora da consulta.
O tratamento tradicional é o aberto. Realiza-se incisão transversa no punho (por motivos estéticos) e se obtém a ressecção do cisto em sua base, realizando eletrocoagulação com bisturi elétrico da origem deste cisto sinovial.
O tratamento artroscópico é o mais moderno. Tem sua maior vantagem nos cistos diminutos e na recuperação precoce do paciente.

Figura 3 - cisto sinovial

Figura 3

Há uma classificação para cistos sinoviais:

 

  1. Cistos dorsais no punho (60-70%)
  2. Cisto volares no punho (18-20%)
  3. Cistos dorsais nos dedos (cistos mucosos ou mucinosos)
  4. Cistos intra-ósseos (mais comuns no semilunar)
  5. Cistos intraneurais

 

Os cistos sinoviais volares (figura 3) ocorrem na região palmar e radial do punho. Costumam aparecer entre os ligamentos rádio-escafo-capitato e o rádio-semilunar longo.

O diagnóstico e os exames complementares são bastante parecidos com o dos cistos dorsais. Todavia, devemos prestar bastante atenção no tratamento, dado a proximidade do cisto volar com a artéria radial. Tendemos a ser mais conservadores com os cistos volares e evitamos realizar a punção e colocação de medicamentos nestes cistos.

Figura 4 - cisto sinovial

Figura 4

Os cistos mucosos (ou cistos mucinosos) acontecem na região das interfalângicas distais (no último “nó” dos dedos. Estão associados à artrose desta região e a geodos conhecidos como nódulos de Heberden. Para estes cistos, não há benefício em se realizar punções, já que os osteofitos (sim, também temos bico de papagaio nos dedos) estão relacionados à gênese do problema. Portanto, para eles, está reservado o tragamento cirúrgico com ressecção do cisto e retirado dos osteofitos. (Figura 4). Há outros pormenores desta cirurgia que devem ser discutidos com o cirurgião no consultório, antes do procedimento.

Figura 5 - cisto sinovial

Figura 5

Por fim, há um tipo relativamente raro de cisto, que acontece nas polias flexoras. Ele costuma incomodar os pacientes, já que fica sobre a área de apoio quando fechamos a mão. A imensa maioria some espontaneamente, entretanto, pode haver a necessidade de sua retirada cirúrgica, caso não se consiga puncionar o “destruí-lo” com uma agulha. (Figura 5)

 

Dr. Diego Figueira Falcochio

Ortopedista especialista em mão e microcirurgia

CRM 122.897 TEOT 11.487

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